28 de outubro de 2013

Episódio de sábado: gato + veterinário. = fera demoníaca e camada denervos.



Não há muito a dizer. O gato mimado cá de casa que se derrete em festas ao acordar e que anda sempre bem disposto e hiperativo na brincadeira, atravessou a porta do veterinário e transformou-se numa fera de bigodes que estava capaz de trucidar quem lhe aparecesse à frente...  Grande espectáculo... O finório do persa que já estava à espera de ser atendido ficou com ar de snob a olhar para o espectáculo promovido por Jeremias, o fora da lei... E lá fora dali queria estar ele... E eu... O que vale é que mal saiu do vet voltou a ser o mesmo mimadinho de sempre... Parecia que nada tinha acontecido... Tudo normal... Deve ser bipolar... 



Agora é isto...

25 de outubro de 2013

As pessoas são muito fortes mas quando o medo chega mijam-se todas!

Um dia destes entrei num táxi e desbobinei um bom dia seguido da morada para onde queria ir. Recebi como resposta “Bom dia?!? Mas acha mesmo que está um bom dia?!?!” naquela sua voz fanhosa como não há outra igual. Reconheci-o logo. Pela terceira vez, neste último ano, apanhei o táxi do mesmo taxista: o Sr. Diamantino.

Sim, já sei o nome dele. É fácil, o senhor introduz muitas vezes a fala na terceira pessoa. Isso e a carteira profissional que indica o nome dele.

De facto esse dia não começou lá muito risonho. Um temporal logo de manhã… com uma trovoada potente que acordou todos os que teimavam em dormir só mais cinco minutos. E por essa mesma razão o Sr. Diamantino afirmava não ser um bom dia… viu o relâmpago e ouviu o “trovoão”. “As pessoas são muito fortes mas quando o medo chega mijam-se todas!” disse enquanto contava como se tinha assustado com o histérico do trovão das sete da manhã, enquanto ajudava uma senhora, que ia para o aeroporto, com todas as bagagens “é que a senhora não tinha nenhum homem para a ajudar”!

Durante a viagem, como é hábito, o Sr. Diamantino contou-me histórias da sua vida e da vida dos outros, vizinhos, familiares e amigos, como o faz com qualquer passageiro.

(É fácil eu aperceber-me que já andei no táxi do Sr. Diamantino pelo menos 3 vezes. São as histórias que ele conta que ficam na memória. Agora ele sabe lá se tem um passageiro repetente… a não ser que seja cromo… ninguém gosta de cromos repetentes.)

Quando veio para Lisboa, tinha 6 meses. A mãe empregou-se em Sacavém numa empresa que agora é a EDP. O pai veio trabalhar para Moscavide. Não gosta de Lisboa. Sempre andou a saltitar de casa em casa até se ter mudado para o Barreiro. “Mudava de casa como quem muda de camisa”. No tempo da Dra. Pintassilgo, quando levou o maior aumento de ordenado da sua vida, enquanto motorista da Carris. Por 430 contos, comprou uma casa no Barreiro… há 34 anos.
Mas a casa era muito quente no verão (“andava só com a camisa que a mãe lhe deu…”) e no inverno uma manta nas costas para ver televisão.

Há poucos anos, vendeu a casa a um amigo que, de seguida, comprou um ar condicionado…

Hoje continua no barreiro. Agora tem uma casa à “facho”.

23 de outubro de 2013

Emoções do fim-de-semana passado: Episódio 1 - O carrapito a galar caracóis


Ou: A alemã de carrapito e o tuga de caracóis

Bairro Alto. Páginas Tantas. Notas de jazz entre conversas de fundo. Três amigos, uma mulher e dois homens, sentados a um canto entre conversas profundas aliviadas por momentos de bom humor. 

A empregada aproxima-se e chama "o-dos-caracóis-e-olhos-azuis" e, dizendo sempre que é uma mera empregada e que não tem nada a ver com o assunto (mas bem que estava a gostar), entrega-lhe um pedaço de uma página arrancada ao conforto de um livro dobrado com se nada fosse. 

Foi a do carrapito da mesa do lado. Alemã. Morena. Alta...  E de carrapito (aquilo tem um nome mais actual, mas não me lembro, por isso para mim é um carrapito). Tinha um número de telefone !!!!(que por ser politicamente correcta, não apanhei na foto). 

Fiquei eu mais entusiasmada que "o-dos-caracóis-e-olhos-azuis"!!! 



Cena "à filme". Muito bom.


Dúvidas: Será que uma pessoa fica mas extrovertida no estrangeiro e, sem grandes inibições, avança com bilhetinhos e números de telefone? Tentativa de guia privado sem custos (monetários) acrescidos? Reconhecimento cultural? Será que alguma vez dá resultado?!? O que fariam se uma estranha ou um estranho pedisse para vos dar um bilhetinho?

Times of trouble... and... footsteps




(Temple of the Dog - "Times of Trouble")

Uma demo que deu origem a duas canções que oiço mais alto que o dilúvio lá fora...



(Pearl Jam - "Footsteps")

A EMEL está na rua e a dança dos carros continua...numa rua perto de si

Uma semana de espectáculo ao final do dia, numa rua perto de si


...Todo o santo dia é a mesma coisa... 
A "EMEL" aparece > comunicação interna > correria pelas escadas (com alguns espalhos pelo meio) > gritaria com os senhores da EMEL > carros bloqueados > carros no reboque.... e os que já desistiram de trazer carro na varanda a ver o espectáculo...

quarta-feira, dia 16 de Outubro



quinta-feira, dia 17 de Outubro



sexta-feira, dia 18 de Outubro


(pausa para fim-de-semana...) 

segunda-feira, dia 21 de Outubro



terça-feira, dia 22 de Outubro


Quando o telefone toca… toca… toca…e é do momento da Anita saltitante!


Número desconhecido.

Indecisão.

Atendo… não atendo… atendo… não atendo….

Lá atendi. Mais valia estar quieta! Era do ateliê de noivas… uma voz fresca e saltitante repleta de purpurinas (é como a recordo… isto já foi há umas horas)…

Há uns anos uma das minhas melhores amigas casou… fez lá o vestido e eu, a minha mãe, a mãe e a irmã dela também fizemos os nossos. Quando me encostaram à parede com um questionário sobre idade, nome, email, telefone e… data prevista para casamento…não queria responder… (na altura até estava solteirita da vida)… mas deve ter sido atirada uma data para o ar (daquelas que parecia mesmo num futuro longínquo) porque… adivinhem… queriam saber se sempre ia haver casamento… para o ano!!! (Alerta MEDO!)

Resposta: (um simples e seco…) não! 
(A minha simpatia com estranhos que me telefonam com temas parvos começou no seu melhor)

Pergunta seguinte da laçarotes(já com um ligeiro desconforto na voz): então… quando é que vai ser?

Resposta (a rir, entenda-se): Talvez… nunca!

Comentário espontâneo do outro lado: Ai valha-me Deus, não diga isso! (a sério?!?)

Resposta (a rir mas quase a bater com a cabeça na parede, na mesa, computador, em qualquer lado!): é o mais provável.

Comentário da confettis (espero bem que já andasse à procura de um buraco onde se enfiar): bem… sabe que nós também temos vestidos para festas e coisas assim, se quiser vir cá…

Interrompi: sim, sim eu sei. (enquanto pensava “Boa papoila saltitante da voz fresca…! Vais no bom caminho para aumentar a taxa de depressões e suicídios!) 

Se por acaso apanham uma noiva que foi deixada praticamente no altar, a coisa não vai correr bem… isto não cabe na cabeça de ninguém. Será que vivem no mundo da Anita!?

Agora, quanto a mim, fica aqui expressamente dito que não houve qualquer indicação de data para a coisa, por isso, se me ligarem daqui a uns… vá… dez anos… eu juro que não vou ser tão paciente! (ameaça registada)


(Legenda: Noiva e respectivas damas de honor... ou noivas substitutas... não deu para perceber dada a cor dos vestidos, em frente à Biblioteca de Nova Iorque... num dos 1001 casamentos que apanhámos enquanto tentávamos visitar a biblioteca. Reparem no ar de seca!)





18 de outubro de 2013

Modern Love

Hoje não está um dia cheio de sol, mas podia estar. A manhã apareceu meio cinzenta, mas podia estar colorida de azul e luz. Está fresco e isso sabe bem. Começo a perceber o bem que sabe e consigo ouvir para além da letra e da música.

Não vou criticar (no sentido bom da coisa) o filme que vi ontem. Não sou crítica de cinema (ninguém me paga para isso e sou péssima a decorar nomes). Crítica só mesmo da vida em geral, de mim, dos que me rodeiam e dos que tiram a Santa Paciência do sério. Crítica amadora disto tudo e ponto. Vou apenas dizer que adorei. O “Frances Ha” é a caricatura de uma juventude que teima em amadurecer e isto é tão comum nos presentes dias. Eu mesma esqueço-me da idade que tenho e não é só aquele esquecimento (tão inconsciente…) de que este ano já tive o meu aniversário e que por isso devia contar com mais um, nem o facto de me arrepiar sempre que me tratam por “senhora”… É o esquecimento de estar já numa faixa etária que na altura dos nossos pais significava que a maioria das pessoas com trintas já estava a trabalhar há anos, a descontar, com filhos, com casa, planos, pés-de-meia… no fundo naquela fase em que já não dá para fugir muito à palavra adulto.

Hoje, olho para o meu mundo e não é isso que vejo (simplesmente ver... sem julgar). Vejo desencontros, vejo pessoas que teimam em não crescer, opções de vida por uma eterna juventude, imposições da vida por uma estagnação, desemprego, dependência financeira e sonhos adiados. Vejo o adiar da paternidade. Vejo isolamento. Isto no meio dos que quiseram e conseguiram ser adultos aos 30. Porque existe o poder e ainda o querer.

O filme de ontem não me trouxe apenas este reconhecimento do estado da Nação, tão conhecido, reconhecido e batido… 

E é aqui que entra a música e os dias que têm de ter luz mesmo que seja para lá da chuva cinzenta.Porque tem de ser. Porque somos diferentes dos os outros eram na casa dos 30.


Para além dos planos frustrados e dos ideais acabados, as histórias reinventam-se, os sonhos que são sonhos continuam a ser aqueles pelos quais se vai lutar, a música continua a mover corpos, persistindo a esperança na busca do cruzar de olhares único. Never wave bye-bye and try